A portaria do Estado Maior da Aeronáutica (EMAER) de número 130/6SC1, publicada na última segunda-feira, 15, trouxe uma notícia inesperada para o ano de 2026, ao determinar a criação de um Grupo de Trabalho (GT) com objetivo de estudar mudanças relativas a “Instrução Aérea Inicial e Operacional na Força Aérea Brasileira (FAB)”, com impacto direto nos meios aéreo utilizados na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga/SP, e no 2º Esquadrão do 5º Grupo e Aviação (2º / 5º GAV) sediado na Base Aérea de Natal (BANT)
Se confirmado o estudo do EMAER, a BANT poderá se despedir do A-29 “Super Tucano”, aeronave que desde os anos 2000 simboliza a modernização da instrução e da aviação de ataque leve na região, sendo substituídos pelos T-27M “Tucano”, abrindo espaço para uma reavaliação profunda do emprego de aeronaves e da distribuição de meios no País. Os A-29 do 2º/5º GAv passariam a integrar apenas esquadrões operacionais do 3º Grupo de Aviação.
Um ponto que chama a atenção no documento diz respeito a retirada do A-29 do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), popularmente conhecido como Esquadrilha da Fumaça, a qual passaria usar novamente os T-27. Essa decisão expõe a necessidade real dos meios operacionais, pois nem as células de demonstração escapariam do reuso, tendo em vista que o EDA desempenha um papel fundamental na divulgação da FAB no Brasil e no exterior. Além do aspecto econômico pois é uma vitrine natural para a Embraer que vendeu o “Super Tucanos” para mais de 22 países estrangeiros, sendo alguns deles signatários da OTAN.
T-27: O retorno

A FAB pediu que o estudo avalie o retorno do T-27 “Tucano” à BANT, onde marcou gerações de aviadores e que teve papel central na formação de pilotos militares brasileiros entre as décadas de 1980 e 1990, nos tempos áureos do Centro de Aplicações Táticas e Recompletamento de Equipagem ou Centro Aéreo de Treinamento, o saudoso Catre. Após mais de 20 anos de sua despedida, isso representaria não apenas uma mudança técnica, mas também um reencontro histórico com um vetor profundamente associado à tradição da instrução aérea no Brasil.
A proposta em análise indica que o T-27 poderia voltar a ser empregado na instrução inicial dos pilotos de caça, em moldes semelhantes aos praticados no passado, quando a aeronave servia como etapa fundamental na transição para meios mais avançados. Paralelamente, discute-se sua eventual adaptação como plataforma de armas, o que reforça o caráter multifuncional do modelo, mesmo em um cenário de restrições orçamentárias.
Esses aviões T-27 atualmente estão concentrados e em uso na AFA, principalmente na formação dos cadetes da FAB. Sendo assim, essa instrução ficaria exclusivamente por conta dos T-25M “Universal”.

Retrocesso ou modernização
Do ponto de vista da FAB, a possível substituição do A-29 pelo T-27 na BANT não deve ser interpretada como um retrocesso, mas como parte de uma reorganização mais ampla da FAB, orientada por critérios de custo, logística e eficiência no preparo operacional. Contudo, levanta uma discussão que já existe em relação ao A-29 no tocante a adaptação dos pilotos aos aviões a jato. Há muitos anos se especula sobre a aquisição por parte da FAB de um jato de transição, como o Aermacchi M-339 ou M-346.

