O projeto nacional de desenvolvimento do Míssil de Cruzeiro de Longo Alcance (MICLA), com plataforma de lançamento a partir de aeronaves, voltou à tona em setembro de 2026 após a publicação Projeto de Lei Orçamentária Anual 2027 (PLOA 2027) que será votado no Congresso Nacional.

O documento traz um custo total de R$ 600 milhões destinados à aquisição do MICLA como projeto “novo”, previsto entre março de 2027 e dezembro de 2036, com R$ 8,8 milhões já para o próximo ano e outros valores escalonados a um crescimento de 5,4% ao ano previstos como “Marco Orçamentário de Médio Prazo” (MOMP) até 2030. Se considerar o custo total, o investimento chegará a R$ 38,6 milhões entre 2027 e 2030, ou seja, apenas 6,41% do total previsto restando R$ 561,53 milhões.

Esse custo inicial pode ser considerado pouco em detrimento do total, entretanto, é o primeiro passo na retomada de um projeto da FAB e Avibras, iniciado em 2017 e suspenso em 2021, com um teste exitoso realizado em 2019, quando um MICLA foi acoplado e lançado de um F-5M “FAB4825”. Além disso, a aquisição do míssil ficou de fora dos três últimos PLOA enviados pelo Poder Executivo (Ministério da Defesa) ao Congresso (2024, 2025 e 2026).
Outro ponto que merece atenção é que o teste envolvendo meios aéreos pode ser a partir do F-39 “Gripen” ou do C-390. Em dezembro de 2025, o novo caça da FAB atingiu a capacidade operacional entrando oficialmente na era do combate aéreo “além do alcance visual”, com o lançamento de um míssil MBDA Meteor, que atingiiu um alvo móvel remotamente controlado a partir do Centro de Lançamento Barreira do Inferno (CLBI), a partir de Natal. Em fevereiro, o F-39 voltou a cidade onde fez seu primeiro lançamento de bombas ar-solo.

Já o C-390 passou a integrar uma importante parceria, em julho deste ano, quando a Embraer e a empresa norte-americana Anduril anunciaram, durante o Farnborough International Airshow, a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) para estudar a integração do míssil de cruzeiro Barracuda-500M ao avião. Isso de demonstra o interesse da Embraer em usar sistema de armas de longo alcance como o MICLAR no C-390.
O MICLA aparece no Plano Estratégico da FAB desde 2018, voltando a ser citado no plano de 2024 -2033, mas só agora chega com orçamento para aquisição dos equipamentos. No plano, o projeto é descrito no item 5.2.9, como:
5.2.9 PROJETO MICLA
5.2.9.1 O projeto MICLA (Míssil de Cruzeiro de Longo Alcance) consiste na obtenção de um míssil de cruzeiro com 300 km de alcance para lançamento por plataformas aéreas.
5.2.9.2 O sistema deve ser capaz de realizar a sua navegação de longo alcance e guiamento terminal de forma autônoma, por meio da fusão de dados de diversos sensores até atingir o seu alvo de caráter estratégico. Esses alvos, localizados em ambientes rurais, urbanos ou sobre o mar, devem ser destruídos, neutralizados ou ter suas capacidades degradadas em qualquer condição climática.
Vale explicar o míssil de cruzeiro é uma variação do projeto do míssil superfície-superfície MTC-300 (AV-TM 300) do Exército Brasileiro, já testado e lançado pela plataforma Astros, que retomou sua operação em 26 de agosto deste ano.
PLOA 2027: Aquisição do F-39 “Gripen”, KC-390 e Propulsão Hipersônica
O Projeto de Lei Orçamentária Anual 2027 (PLOA 2027) traz outros itens importantes no tocante a aquisição de meios e equipamentos para a FAB. A aquisição de Aeronaves de Caça e Sistema Afins (FX-2), iniciado em 2014 e com duração até 2033, chega a 54% executados, com uma parcela de R$ 2,8 bilhões previstos para o próximo ano, totalizando R$ 8,7 bi até 2030.
Outro projeto que chama atenção e que tem R$ 556,3 milhões empenhados para 2027 é a Aquisição de Cargueiro Tático Militar de 10 a 20 Toneladas “KC-390”, alcançando 39% do total previsto, em torno de R$ 13,6 bi, entre 2014 e 2035.
Por fim, um item do PLOA 2027 é o Desenvolvimento do Projeto de Propulsão Hipersônica 14-X, custo total de R$ 339 milhões. Se comparado com outros itens, esse possui um valor bem abaixo, entretanto, trata-se do desenvolvimento ainda e seu status está como não iniciado desde 2008. Indício de retomada, justamente com o andamento do MICLA, o que pode ter relação.
Documento Completo:
