A notícia de um avião “secreto” a serviço do Governo Norte-americano sobrevoando e pousando em aeroportos do brasileiros movimentou a internet, na noite desta terça-feira, 19, despertando inúmeras teorias da conspiração, entre elas; a incursão de forças especiais no território nacional ou que a aeronave estaria a serviço da Central Intelligence Agency (CIA – Agência Central de Inteligência). Tudo isso impulsionado pela atual relação diplomática entre o Brasil e os EUA, mas de fato o que se sabe?
Trata-se de um C-32B da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos), uma versão do Boeing 757-200, lotado na 150th Special Operations Squadrons (SOS) e código rádio “RCH” ou “Richy”. O que chamou atenção é que esse avião utiliza um esquema de cores especial, basicamente todo branco, sem identificação na fuselagem como matrícula ou marcas da unidade militar onde serve, possuindo apenas uma pequena bandeira dos EUA pintada na parte de trás. Sabe-se de apenas quatro aviões desse tipo em operação e que já foi visto em missões de apoio em desastres, desde naturais a atentados terroristas, bem como visitas presidenciais.
E falando em visita presidencial, a versão C-32A é justamente a utilizada no transporte do vice-presidente norte-americano como transporte VIP, que possui uma padrão de cores similar ao do VC-25A, uma versão do Boeing 747, popularmente conhecido por Air Force One quando transporta o presidente. Foi justamente dois aviões C-32A que pousaram no Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Natal/RN, por ocasião do transporte do vice-presidente à época Joe Biden que veio assistir um dos jogos da Copa do Mundo Fifa de Futebol.


Na visão deste redator, o voo desta terça-feira do C-32B trata-se de alguma missão diplomática, transporte de autoridade ou comitiva em missão oficial, a qual o Governo Americano não ver a necessidade de qualquer publicidade, seja por desobrigação dessa informação sensível ou por ser desnecessário. Essa seria a reposta mais simples.
Contudo, decidimos aprofundar essa discussão, tendo em vista que as pessoas gostam de fantasiar e crias teorias conspiratórias, dignas de roteiros de filmes hollywoodianos. Sendo assim e de antemão antecipamos que não faz menor sentido a CIA utilizar um avião que pode ser rastreado por qualquer site de rastreio, que mostra as informações em tempo real do voo, quando esse órgão possui outros meios mais discretos e recursos ilimitados para qualquer missão considerada estratégica.
E para derrubar qualquer teoria sobre pouso inesperado em aeroporto, voo secreto ou clandestino, vale explicar que esse tipo de viagem sobre o território nacional é possível apenas com a devida e restrita autorização. Para isso, existem a Autorização de Voo do Estado-Maior da Aeronáutica (AVOEN), “nome dado à autorização de voo no espaço aéreo brasileiro, com ou sem pouso no território subjacente, emitida pelo Estado-Maior da Aeronáutica às aeronaves militares e civis públicas estrangeiras, bem como às civis nacionais e estrangeiras que estiverem transportando explosivos e/ou material bélico”.
Caso contrário, essa aeronave será identificada assim que entrar espaço aéreo brasileiro pelo mais diversos sistema de radares e monitoramento do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), iniciando os protocolos de intercepção, obrigando o pouso e impedindo a fuga.
Por fim, resta esperar se os EUA vão dar alguma explicação pública.

