M-346 italiano volta a aparecer como solução para a FAB aposentar o AMX

Nos últimos dias, voltou a circular na internet a informação acerca do interesse da Força Aérea Brasileira (FAB) em adquirir um lote de caças de treinamento avançado e ataque M-346 “Leonardo” de fabricação italiana. Apesar de matérias em blogs e alguns vídeos em canais de aviação, de fato mesmo nada existe, seja documento tratando do assunto ou algum pronunciamento por parte da FAB. Contudo, a aposentadoria dos caças A-1M “AMX” anunciada para 2027 é um dos maiores motivos do tema voltar a aparecer.

Em 2022, a compra dos M-346 ganhou força quando o então comandante da FAB, o brigadeiro Batista Júnior realizou um voo de teste e em 2024, durante reunião do G20, na qual o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, se reuniu com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e teria discutido uma maior parceria no campo militar entre os dois países.

A grande questão e urgência é que o prazo para a aposentadoria do AMX está chegando, e qualquer tentativa de compra de um novo avião demanda tempo e, principalmente, orçamento para aquisição, manutenção e logística do equipamentos. E justamente em um tempo quando corte de despesas é o que impera. Atualmente, a FAB opera cerca de 10 unidades do AMX com a missão de ataque e reconhecimento.

A-1AM AMX da FAB (Foto: Leonardo Dantas)

Os mais empolgados citam fontes anônimas “oficiais” – o que na prática não quer dizer nada – e falam em conversas avançadas entre os governos do Brasil e Itália, inclusive com um novo encontro sendo agendado entre o presidente Lula e Meloni. Em pauta, estaria a aquisição de 36 caças M-346FA “Leonardo” com direito a pacote completo da versão de 4ª geração e treinamento de pilotos.

A parceria bélica entre o Brasil e Itália não seria uma novidade, pois foi assim que surgiu o projeto do AT-26 “Xavante” e até mesmo o já citado “AMX”. Ambas aeronaves consideradas um sucesso em seu propósito.

A versão M-346FA, ou Fighter Attack, seria uma melhoria da versão de treinamento (FT) com capacidade de levar até 3.000 kg em armamentos, distribuídos em 7 pontos de fixação. Isso significa entre 600kg e 800 kg a menos se comparado com o AMX, entretanto, a FAB teria uma aeronave muito mais moderna, adequada ao cenário moderno de combate aéreo e com capacidade de sistemas integrados de guerra eletrônica e com o F-39 “Gripen”.

A expectativa é que essas aeronaves fossem designadas para substituir uma dezena de AMX´s na Base Aérea de Santa Maria (BASM), no 1º/10º e 3º/10º Grupos de Aviação, esquadrões “Poker” e “Centauro”, respectivamente. Além disso, como vetor de treinamento final no estágio de adaptação dos pilotos de caça, no 2º/5º Grupo de Aviação Esquadrão “Joker”, sediado na Base Aérea de Natal (BANT), otimizando a transição dos alunos entre o A-29 “Super Tucano” e o F-39 “Gripen”. Com isso, o Brasil a sétima nação no mundo a operar o M-346, sem contar os russos que têm uma versão derivante, o YAK-130.

M-346 armado com mísseis ar-ar (Foto: Leonardo Inc)

Outro forte argumento favorável a compra do caça italiano diz respeito a doutrina utilizada na atualidade pelas grandes potências, como EUA e China, que investem em caças pesados e robustos que garantes a superioridade aérea a exemplo do F-15, F-35 e Su-57, mas também contam com aviões mais leves como F-16 e J-10. Nesse cenário, o Brasil passaria a operar o F-39 e M-346, contando com dois vetores diferentes e eliminando possíveis problemas por operar apenas um.

Contudo, vale reforçar que tudo isso ainda são conjunturas da internet, mas que no atual momento e ameaças, se mostram uma das mais viáveis. A FAB está operando cerca de 1/3 dos caças Gripens previstos no contrato inicial de 36 unidades e sem anúncio oficial de um novo contrato, seja de novos 04 caças para fechar as 40 iniciais ou um número maior, que poderia equipar até mesmo as forças aeronavais.

Ficamos na torcida que algo saia do papel.