A presença norte-americana em Natal foi intensa durante a Segunda Guerra Mundial e não apenas nas bases militares, mas no cotidiano da cidade, nas praças, comércio e nas praias. Esse último ambiente era muito frequentado com registro dos yankees nas praias da Redinha, Forte, Meio, Pinto, Ponta Negra e até mais ao sul, a exemplo de Pirangi. Atualmente, essas praias são consideradas urbanas, contudo, nos anos 1940, eram locais distantes e até isolados, o que era ideal para passeios com piqueniques e uma ótima opção de lazer com os amigos e namoros. Surgiu então entre os americanos a necessidade de locar casas em diversos locais do litoral.
Mas onde era a casa de praia dos americanos?
Antes de responder, é preciso esclarecer que os visitantes tinham mais de uma casa à disposição e até mesmo um clube exclusivo, o USO Beach, localizado no alto da Avenida Getúlio Vargas.
O local específico da foto desse poste foi retratado pelo fotógrafo Hart Pretson, que à época teve imagens publicadas na revista Life e na atualidade tem sua coleção com direitos reservados a Getty Image. A imagem é cheia de elementos, como coqueiros, casa com varanda cheia de pessoas bem vestidas – que nem parecem estarem em uma praia – e uma cena ao fundo que ajuda a identificar o local exato.
Comparando com cenas atuais, podemos chegar à conclusão de que se trata da praia do Pinto, atualmente conhecida como praia de Miami, na zona Leste de Natal, bem perto do farol de Mãe Luiza.

Alguns leitores devem estar se perguntando se ali já não seria a praia de Miami, tendo em vista que foram os americanos que deram o nome ao local. Bem, assim como os números de ruas para ajudar os americanos a se deslocarem na cidade, o caso da praia de Miami, provavelmente, seja mais uma estória que se perpetuou em Natal envolvendo a presença americana sem algo concreto.
Pesquisando em jornais da época, o nome “Miami” associado ao trecho da praia de Areia Preta, aparece pela primeira vez mais de 20 anos após saída dos norte-americanos, em 24 de agosto de 1967, quando o colunista social do Diário de Natal, Sanderson Negreiros descreve o perfil de uma jovem identificada como Olga de Olveira Cunha, 18 anos, a qual tinha o costume de frequentar a praia de Miami aos domingos.

O nome fica mais conhecido nos anos 1970, com a instalação de restaurantes conhecidos, como “O Veleiro” e “Farol”, que em anos diferentes ocuparam o mesmo endereço, tendo como localização: a praia de Miami.
Em favor da teoria de que foram os americanos na guerra que batizaram a localidade, temos os livros Natal USA e A Contribuição Norte Americana à Vida Natalense, dos autores Lenine Pinto e Protásio de Melo, respectivamente. As obras são uma referência quando pesquisamos sobre o tema Segunda Guerra e a participação potiguar. Lenine descreve o local como a “praia privativa” dos militares, enquanto que Protásio de Melo trata do tema “Praias Natalenses na Segunda Guerra” em um dos subcapítulos, sobre a mudança dos costumes.

Já na contramão dessa afirmação, temos o relato de veteranos que passaram por Natal na década de 1940, como Billie Goodell, John Harisson “Jack” e James Marshal, os quais nunca citaram Miami Beach ou praia de Miami.
Na década de 1970, quando o Governo do Estado inicia discussões em torno da regulamentação da Via Costeira e do Parque das Dunas e em ambos o projeto, considera a localidade como praia do Pinto. O nome Miami se torna mais difundido a partir de 1976, quando se tenta atrair empreendimentos hoteleiros para Natal e investidores da indústria do turismo.


