Nesta quarta-feira (25), o Brasil dá um passo significativo em sua história aeronáutica com a apresentação do primeiro caça F-39E Gripen produzido em território nacional, no aeródromo da Embraer, em Gavião Peixoto (SP). O avião foi entregue em condições operacionais e no padrão de camuflagem, sob a matrícula o FAB 4109, sendo o primeiro caça supersônico fabricado no país.
Isso representa muito mais do que a montagem de um avião, mas também o domínio e transferência de tecnologia, sobretudo, no tocante a aviônica, linha de produção, cadeia produtivas de valor agregado, além de estrutura, armamento e motor. No escopo do projeto, das 36 aeronaves adquiridas pela FAB, pelo menos 15 serão fabricadas na planta de Gavião Peixoto.

Fruto da parceria entre a brasileira Embraer e a sueca Saab, o programa Gripen representa muito mais do que a simples aquisição de aeronaves modernas: trata-se de um projeto estratégico de transferência de tecnologia e capacitação industrial, que insere o Brasil em um seleto grupo de países com domínio sobre etapas críticas da produção de caças de última geração.
O fato acontece em um importante momento da história mundial quando conflitos são crescentes e colocam em xeque a capacidade de defesa do Brasil. A apresentação do primeiro exemplar montado no Brasil consolida um novo capítulo para a aviação militar brasileira. Mais do que um vetor de combate, o F-39E Gripen representa a construção de conhecimento, autonomia tecnológica e projeção estratégica — elementos fundamentais para qualquer nação que busca protagonismo no cenário internacional.
O F-39E dispões de alerta e detecção radar, capacidade de contramedidas eletrônicas, alertas de aproximação de mísseis, compartilhamento de dados criptografados e em tempo reais, ataque eletrônico, lançamento de mísseis (Meteor e IRIS-T e bombas) e utilização em cenários de inteligência, vigilância e reconhecimento.

O F-39E Gripen é uma aeronave multifunção de alto desempenho, capaz de atingir velocidades próximas a Mach 2 (cerca de 2.400 km/h), equipada com sistemas avançados de combate e apta a operar em múltiplos cenários. Entre seus armamentos, destaca-se o míssil Meteor, considerado um dos mais letais da atualidade, além de canhão interno e outros sistemas de ataque e defesa.
A entrada em operação do Gripen marca também o início da substituição dos veteranos Northrop F-5, que serviram à Força Aérea Brasileira por cerca de 50 décadas. A modernização não se limita ao desempenho: envolve também novos conceitos de guerra centrada em rede, sensores avançados e maior capacidade de integração com outras plataformas.
O contrato firmado em 2014 prevê a aquisição de 36 aeronaves, com parte significativa sendo produzida no Brasil. Avaliado em cerca de US$ 4 bilhões, o acordo é um dos mais importantes da história recente da defesa nacional, tanto pelo seu impacto operacional quanto industrial.
